Sobre
Noris MoraesBRASIL
Noris Moraes nasceu em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. Cursou o Instituto Superior de Belas Artes especializando-se em História da Arte, sua grande paixão.

Morou em São Paulo e Rio de Janeiro, onde desempenhou funções na área de marketing em empresas multinacionais como Christian Dior, Yardley of London e Pier Augé.


Em 1971 recebeu do Banco Halles e Grupo Bom Preço, um premio que viria a ser determinante para a sua vida futura.
À José Américo Mendonça, então vice-presidente do grupo Bom Preço, é dada a responsabilidade de apresentar-lhe Pernambuco.
Fica fascinada pela cultura e beleza do Estado ao qual não mais deixará de dedicar-se.
Embora trabalhando na área de gestão comercial e marketing, começa a pesquisar, nos seus tempos livres, as riquezas naturais, o folclore, a gastronomia e rapidamente toma contato com a Arte Popular Pernambucana e entende ser aquela, a estrada que quer percorrer e a ela dedicar-se.
ITÁLIA

Muda-se para Milão em 1984 e organiza, com o apoio da Varig e do Consulado Geral do Brasil, a primeira Semana da Cultura do Nordeste do Brasil, no Centro Culturale Ítalo Brasiliano, intitulado “Pizzi ed Arazzi del Nordeste del Brasile”. Um sucesso.
PORTUGAL
Muda-se para Portugal, pela primeira vez, em 1978, primeiro para Lisboa e em 1980 para cidade do Porto. Leva consigo amostras de Rendas de Renascença, sendo pioneira a organizar em Lisboa e Porto, exposições dessa sofisticada arte.
Retorna a Portugal em 1990 e passa a dedicar-se totalmente ao seu sonho de divulgar as potencialidades de Pernambuco e do Nordeste brasileiro.
Entende que a divulgação que se fazia sobre o Estado apontava apenas para os kilômetros de paradisíacas praias sem valorizar a importância da riqueza cultural.
Empreende viagens pelo interior do Estado, fazendo um exaustivo levantamento das suas inúmeras tipologias.
Em 1993, nasce a idéia de concentrar num só evento as informações que vinha adquirindo e nasce a 1ª Semana de Pernambuco no Porto, com o apoio do Hotel Ipanema Parque.
Portugal então toma contato pela prineira vez com a força dos tambores e a beleza plástica de uma das mais populares danças do folclore pernambucano, o Maracatú.
A responsabilidade dessas apresentações foi dado ao grupo Maracatu Nação Pernambuco.
A partir desse primeiro passo, Noris Moraes passa a abordar diferentes temas da vasta cultura pernambucana, levando para dentro das escolas, muitas experiências para professores e alunos.

Trabalho com tribos indígenas Brasileiras
Em 1996 apresenta à Senhora Madalena Arraes, então Primeira dama do Estado e Presidente da cruzada de Ação Social, um projeto cujo objetivo é pesquisar a tipologia do artesanato da Zona da Mata e do Sertão.
Tem então o primeiro contato com os índios Xukurú e o cacique Xicão.
Juntos iniciam um projeto visando a divulgação do artesanato das tribos indígenas de Pernambuco, para além das cancelas da Reserva o que a leva a conhecer a realidade e a forma de vida de outras tribos como os Kambiwá, Fulniô, Truká e outras.
Iniciando o trabalho com o artesanato indígena, descobre que é do talento e das mãos das índias da Reserva Xukurú que nasce grande parte das peças em Renda de Renascença vendidas nas mais sofisticadas lojas da capital, sem que este fato seja mencionado aos clientes e compradores.
Desde então, Noris Moraes vem promovendo essa verdade, tendo criado uma etiqueta onde é mencionado o nome da tribo onde a peça é feita.



Em 1999, com o assassinato do Cacique Xicão, Noris Moraes levanta o véu da mística que envolve a forma de viver dos índios e, sob o tema “Como Vivem Hoje os índios em Pernambuco”, homenageia o líder desaparecido e as tribos indigenas de Pernambuco, levando a Portugal o índio Itagibá.
A Semana alcança tamanho sucesso que o Hotel Sheraton Lisboa propõe que a semana a Semana de Pernambuco se estenda até a capital.
Momentos Marcantes
Foram na verdade todos, mas alguns fazem o coração pulsar ainda mais forte.
Importante sublinhar que cada ação realizada ao longo de mais de 30 anos de dedicação, teve um objetivo maior- mostrar a cultura do norte e nordeste do Brasil.
Em 2005, com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado do Pará, traz pela primeira vez à Portugal, a arte Tapajônica e Marajoara contemplando o público com peças de Mestre Cardoso, expressão máxima da cerâmica figurativa da Amazônia.
Inesquecível e pejada de momentos de grande emoção, foi a entrega, em total surpresa para o escritor Carlos Cavalcanti, da sua obra Sertanidade transcrita para braile.
Foi o resultado de um ano de preparação contando com a cumplicidade das Escola EBI Diogo Bernardes de Ponte da Barca e Escola Secundaria Rodrigues de Freitas no Porto e da Santa Casa de Misericórdia que tornou possível transcrever nas suas oficinas do Porto a obra Sertanidade para cegos.
Hoje nove bibliotecas no norte de Portugal têm Sertanidade transcrita para braile.
Tendo sempre a divulgação da cultura pernambucana como meta principal, o Porto e várias cidades do Norte de Portugal nomeadamente Vila do Conde, Matosinhos, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Porto, receberam através do trabalho de Noris Moraes conhecimentos que deixarão uma marca indelével a todos quantos delas participaram.




Alguns dos que fizeram esse trabalho inesquecível
Ficará no registro de vida e na história de alguns mestres artesãos, homens e mulheres que até então nunca haviam saído de suas pequenas cidades e que uma vez selecionados para vir à Portugal participar da Semana de Pernambuco, tiveram as suas vidas mudadas.
Nomes importantes da música e da literatura, enriqueceram as relações culturais entre os dois países e deram a conhecer a capacidade e talento nordestino.
Alguns desses participantes:
Maracatú Nação Pernambuco
José Alves de Olinda –mestre Artesão de Olinda
Quiteto Violado
Otacílio Baptista e Oliveira de Panelas – cantadores de improviso
Índio Itagibá- Tribo Xukurú – Pesqueira
Dona Maria Josefa – Tapioqueira de Olinda
Escritor Olímpio Bonald Neto
Marlene Leopoldino- Mestre Rendeira-Paraíba
Escritor e poeta Carlos Cavalcanti- Paraíba
Cordelista – David Teixeira
A minha filha, Luciana Paola Moraes, o meu infinito amor.
Novos caminhos
Em 2014, junta numa só exposição a arte popular de Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Índia e Brasil. Um concorrido jantar Moçambicano e danças cubanas, encerram um capítulo porque a vida e as circunstâncias lhe exigia mudanças.
Após muitas edições realizadas, quilômetros incontáveis de estradas percorridos, compromissos financeiros não cumpridos por parte de políticos poucos sérios e Noris Moraes mergulha numa nova fase – a descoberta da distante Índia e desde então esse tem sido o seu caminho.
Pedras, Minerais e Criações de Jóias

Sua paixão por pedras e jóias vem da infância, quando acompanhava sua mãe, Joana Neves Lopes (Joaninha), à uma conceituada joalheria de Porto Alegre e encantava-se a vê-la fazer as suas escolhas.
Insatisfeita com o que encontrava nas vitrines, começou a descobrir ourives que pudessem executar as suas peças, orientando-os sobre o que queria. Já aqui a manifestação do DNA por essa matéria.
Quando já havia mudado para Portugal, teve uma pequena loja que chamava de aquário, porque funcionava no centro de um salão de beleza. Foi a primeira loja e aí surgiram os primeiros pedidos.
Em Minas Gerais, passa a conhecer o mercado de pedras preciosas e excelentes ourives. Com o resultado financeiro favorável, mantem os seus projetos de incentivar a exportação do artesanato de Pernambuco para a Europa, tendo muito a agradecer às novelas da Globo que inspiravam as senhoras em Portugal a usar joias num estilo mais arrojado.
Muda de loja por duas vezes, até encontrar o espaço dos seus sonhos onde alia os projetos culturais e a venda de pedras e minerais para colecionadores.
Rapidamente entende que num mercado que não é grande era preciso evitar altos estoques, optando por trabalhar com peças exclusivas.
É dessa forma que mantem muitos dos seus clientes, alguns há mais de 30 anos.
Intensificava-se porém a busca por uma maior originalidade e qualidade na execução das peças.
Correndo riscos que faziam lembrar aventuras de Indiana Jones ao embrenha-se em minas cada vez mais profundas, adquirindo um conhecimento cada vez maior sobre pedras e minerais.
Havia chegado o tempo de Noris Moraes fazer o seu caminho às Índias.
Índia, o novo caminho

“Foi em 2009 que descobri o meu caminho para a Índia.
Pesquisei durante muitos meses antes de realizar a minha primeira viagem a um mundo desconhecido e contei com o apoio de uma querida amiga e amigos que me ajudaram a estruturar essa primeira viagem (obrigada Fernandinha Prata). E chegou o momento de lançar-me num universo totalmente desconhecido, o país chamado Índia.
Pejado de simbolismos, espiritualidade, crueldade pela pobreza pela qual pouco podemos fazer, com um clima que nos faz as vezes trabalhar com temperatura de 46º graus, no entanto foi aí que encontrei um país de gente amável, sempre pronta a ajudar, com suas contradições, é certo, mas onde fiz amigos que se tornaram família.
O grau de espiritualidade nota-se desde o primeiro momento que uma loja abre suas portas pela manhã, porque antes dos negócios é preciso orar aos antepassados. Só depois vêm os negócios.
Aceitar o chai, é obrigatório porque abre as portas á cordialidade e ao relax.
Não podemos ter pressa na Índia.
Todos os caminhos me levaram a Jaipur, a mais importante cidade, talvez no mundo, na fabricação de joias cuja complexidade é quase inexplicável aos olhos de um observador do ocidente.
Fui abençoada por ter conhecido na minha primeira viagem em 2011 um ser especial mas sobretudo generoso. Tem sido, passados doze anos, meu amigo e meu Mestre. Com ele tenho aprendido sobre hábitos, religiões, cultura e historia desse país milenar. (Obrigada Rais Ahmad).
Mas outros, e outros, e ainda outros mais foram formando uma grande corrente de seres que não abraçam fisicamente, porque na Índia não devemos tocar em ninguém, homem ou mulher, apenas os cumprimentos tradicionais das duas grandes religiões, o hinduísmo e o islamismo.
Esses amigos foram sendo cultivados ao longo do tempo e abriram-me as portas de suas casas e comigo dividem a alegria do nascimento de um novo filho ou simplesmente preocupam-se em recomendar se levo esse ou aquele agasalho.
Trabalhar num ambiente assim transforma trabalho num ato de amor.
Hoje, Setembro de 2020, aguardo serenamente a reabertura dos aeroportos para poder voltar a saudar meus amigos com um
Namaste ou Salaamm Aleikum.“